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Ao blindar sua favorita à sucessão dos efeitos malignos da quebra do sigilo do Imposto de Renda da filha de Serra, Lula facilita atuação de bandidos interessados na contabilidade alheia

Nesta vigente república petista, um antigo conceito fundamental da democracia está sendo desvirtuado radicalmente: todos somos iguais perante a violação de nossa privacidade contábil. O brasileiro comum que não se sentir ameaçado pela abertura renitente das declarações de Imposto de Renda de figurões do tucanato de alta plumagem e de Verônica, filha de José Serra, ex-governador paulista e candidato à Presidência da República pela legenda oposicionista do PSDB, jamais teve de dar satisfações à Receita Federal ou nunca teve algo a declarar ao Leão.


Difícil é saber o que mais assusta na rotina administrativa da agência do Fisco da União em Mauá, vizinha de São Bernardo do Campo e Diadema, cujo Sindicato dos Metalúrgicos Luiz Inácio da Silva, vulgo Lula, presidiu: será a facilidade com que os servidores entregam a documentação sigilosa de qualquer um a quem pedir ou a garra com que a cúpula da instituição defende os subordinados que o fazem? Se Lúcia de Fátima Milan teria desobedecido o Estatuto do Servidor caso não aceitasse o pedido atribuído a Verônica pelo portador Antônio Carlos Atella Ferreira, com seis falsificações consideradas grosseiras, conforme declarou seu superior, Otacílio Cartaxo, qualquer contribuinte brasileiro pode ter sua contabilidade devassada por algum inimigo ou membro de uma quadrilha do crime organizado sem nenhum problema. O pior é que Cartaxo disse bem que os servidores que têm contato com o público não têm de ser peritos. De fato, errado é o sistema que permite ao réu em 16 processos, 6 deles criminais, se fazer passar por procurador de uma contribuinte que mora na Zona Sul da Capital, longe de Mauá, sem contrariar ninguém na repartição pública do ABC, na chefia em Brasília, no Ministério da Fazenda ou no gabinete mais poderoso do Palácio do Planalto. A conclusão a tirar é que os poderosos de plantão na União parecem acreditar que a função do órgão do Estado – e não do governo nem menos ainda do Partido dos Trabalhadores (PT) – é cobrar impostos e azucrinar adversários.
Empenhado apenas em blindar sua candidata à eleição federal, o chefão geral da Nação avalizou o que os subalternos de seu ministro da Fazenda, Guido Mantega, fizeram, ao garantir que ainda confia totalmente na Receita. Não lhe contaram que o privilégio que o poder lhe dá de perdoar estupradores de direitos elementares do cidadão hoje desaparecerá em 1º de janeiro de 2011, quando seu sucessor for empossado. Depois, ele próprio será vítima potencial do estupro institucional, que classificou vagamente de banditismo, esquecendo que esta impunidade, que tem seu aval, protege o crime que execrou, mas não combateu.

Jornal da Tarde

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José Nêumanne Pinto

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