Muito agradecido, gente do bem!

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Aproveito a oportunosa ensancha de nosso convívio pela telinha para prestar um esclarecimento que, a estas alturas, me parece essencial fazer nestes dois últimos dias, especialmente depois de minha participação no programa Roda Viva, na TV Cultura, segunda-feira passada, à noite. As exceções são manifestadas por quem me achou desaforado ou de quem não tolera minhas opiniões. Uns por estarem a soldo de vítimas empoderadas de minha língua ferina, que, segundo o colega Carlinhos Brickman, recebe diariamente poderosas doses de veneno de serpentes do Instituto Butantã. Outros por professarem ideologias com as quais não comungo. Mas aceito esta discordância sem brigar, pois aprendi que divergir faz bem ao espírito e ao humor, embora esclareça que quem cobra imparcialidade de minha parte desconhece a natureza de meu ofício de comentarista, por definição alguém que comenta algum fato, não simplesmente o narra, com a obrigação de ouvir os dois lados. No meu caso, não considero que esteja entre meus direitos de ofício ser neutro, mas, sim, ser justo. E mais: nunca quero convencer ninguém de nada, mas apenas dar a meu público informações para concordar ou discordar de minha posição. Comemoro tais exceções por dois motivos. O primeiro é que, sendo rodriguiano como sou, considero a unanimidade burra e a burrice nunca foi meu defeito favorito. O segundo é que as manifestações discrepantes (como preferia o mestre Houaiss) têm sido em número irrelevante, se comparadas com o apoio entusiástico recebido do outro lado, o meu. Isso tem um lado bom: quem defende meus oponentes, e o tem feito com vigor e rigor invejáveis, está ficando cada vez mais isolado. E a grande maioria me apoia, me incentiva e me mantém na luta, por mais inglória que ela ainda seja e sempre será. Por enquanto, as estatísticas são de milhões a meu favor e unidades inferiores à dezena me difamando. Esta maioria absolutíssima tem exaltado uma virtude que nunca foi propriamente meu forte: a coragem de enfrentar de igual para igual um figurão da República no topo do Poder que julga. Na verdade, orgulho-me da independência, da decência e do senso de justiça, que aprendi a venerar seguindo o exemplo de meus amados pais, sertanejos rijos e probos. Mas sertanejo como eles, sou mais prudente do que pareço. No caso do ministro do STF, eu, como aquela “mulher do Fernandinho” do humorístico da TV, só falei o que tinha certeza. A saber: os 67 condenados na primeira instância em confronto com nenhum condenado na última na Operação Lava Jato; a impunidade do acusado pelo MPSP de ser mandante do assassínio de Celso Daniel com o habeas corpus guardado na gaveta de sete presidentes do STF, Nelson Jobim, Gilmar Mendes, Ellen Gracie, César Peluso, Carlos Ayres Britto, Joaquim Barbosa e Ricardo Lewandowski, que retirou o documento da gaveta para aceitar e, com isso, manter impunes os assassinos, anulando todos os processos em que seis já tinham sido condenados pelo tribunal do júri; o desfile impune do ex-presidente do PSDB, Eduardo Azeredo, que foi condenado em primeira instância (e não o foi por Sergio Moro) depois de ter perdido a eleição e, com ela, o foro privilegiado; e, last but not least, a garantia de impunidade para Fernando Afonso Collor de Melo (como se orgulha em escandir seu primo entrevistado, responsável pela nomeação deste para o STF), que a expôs ao reincidir em delinquência recente; e dos empreiteiros investigados pela Castelo de Areia. Esta, anulada pela competência de Márcio Thomaz Bastos, agora serve de ameaça para a Lava Jato ser anulada, risco que ficou claro pela franqueza de Marco Aurélio, respondendo a uma pergunta minha. Pior do que o foro privilegiado, que tem garantido historicamente a impunidade de seus beneficiários, como no caso do mensalão (que também citei), é mais criticado por mim por não ser aquilo que seu segundo ministro mais antigo chamou de “último bastião da cidadania”, inútil para os pobres e pardos, que lotam nossos presídios infectos e por gente humilde da classe média, meu caso, que não tem renda para pagar os advogados grã-finos que são admitidos no plenário chique da Suprema Corte, que convive com réus e seus representantes nos convescotes da capital da indecência. Acontece que, como o grande intelectual Luis da Câmara Cascudo, este nordestino não é ingrato com quem o elogia: nunca sei se o elogio que me é feito é justo, mas, seja ou não seja, agradeço-o. Aproveito este espaço, que criei e edito, para agradecer a todos que me cumprimentaram. E assegurar-lhes que, ainda que não seja tão bravo como imaginam, não sou doido como pareço. E até na minha bravura há prudência e um raciocínio lógico, disciplina que aprendi a venerar lendo Aristóteles e Santo Tomás de Aquino e fazendo do bispo de Hipona, Santo Agostinho, meu eterno exemplo e padroeiro.

Tenha uma quarta muito farta, apesar das intempéries.

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José Nêumanne Pinto

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