Comentário no Jornal Eldorado: Muitos vexames!

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest
Pocket
WhatsApp

Quando Temer foi pra Rússia e Noruega, foi noticiado que a Polícia Federal (PF) tinha encaminhado ao STF seu relatório sobre a investigação pedida pelo procurador-geral quanto à suspeita de que o presidente Temer teria cometido crime de corrupção passiva, em associação com Rodrigo Loures e Joesley Batista. Quando ele voltou pra casa, no fim da semana passada, a notícia era pior: o laudo pericial da PF frustrou completamente sua defesa, que jogou todas as fichas na possibilidade de a gravação ter sido adulterada pelo delator premiado. Era uma tolice, é claro. Mas desmascará-la tornou-se mais um dos muitos constrangimentos de uma viagem desastrada do chefe do governo à Europa.

(Comentário no Jornal Eldorado da Rádio Eldorado – FM 107,3 – na segunda-feira 26 de junho de 2017, às 7h30m)

Para ouvir clique no link abaixo e, em seguida, no play:

https://soundcloud.com/jose-neumanne-pinto/neumanne-2606-direto-ao-assunto

Para ouvir Triste Bahia, com Caetano Veloso, clique no link abaixo:

Para ouvir no Blog do Nêumanne, Política, Estadão, clique no link abaixo:

http://politica.estadao.com.br/blogs/neumanne/muitos-vexames/

Abaixo, a íntegra da degravação do comentário:
Eldorado 26 de junho de 2017 Segunda-feira
A notícia que fechou a semana passada como uma bomba foi dada no Blog de Fausto Macedo na sexta-feira: a Polícia Federal concluiu que o áudio da conversa gravada pelo empresário Joesley Batista com o presidente Michel Temer, em 7 de março no Palácio do Jaburu, não foi editado ou adulterado. Não era o que se esperava?
É, o time do Fausto apurou que o laudo sobre a gravação aponta para mais de 100 interrupções, mas que nenhuma delas foi causada por agente externo ou realizada posteriormente à gravação. De acordo com fontes ouvidas pela reportagem, a perícia realizada no Instituto Nacional de Criminalística (INC) relaciona as interrupções ao gravador utilizado. Um perito explicou ao Estado que o modelo de gravador utilizado efetua os “cortes” em momentos em que há silêncio. A ação espontânea do gravador tem como finalidade economizar bateria e espaço na memória do aparelho, mas não tem condições de alterar o áudio. Não havia a menor lógica que o laudo desse o contrário e, mesmo que desse, nada de essencial seria alterado. Ainda segundo fontes ouvidas pela reportagem, o software utilizado pelos peritos tem a capacidade de separar todos os sons captados pelo gravador e separá-los por faixas. A partir dessa técnica, explicou um perito, foi possível até melhorar a qualidade de alguns trechos inaudíveis da gravação. O espetáculo de circo mambembe montado pelo perito Ricardo Molina, contratado pela defesa de Temer, só aumentou e agora mais ainda, tanto as desconfianças em relação ao perito de aluguel quanto a credibilidade cada dia mais próxima de zero de Temer. Aliás, a mais recente pesquisa do Instituto DataFolha deu-lhe a pior popularidade desde seu aliado Sarney há 28 anos, superando os piores índices de Fernando Henrique, Lula e até mesmo de Dilma Rousseff, à véspera do impeachment. Não sou bom profeta, mas me arrisco aqui a mais uma previsão: como Temer é teimoso e ainda vai raspar os sobejos do banquete de poder que herdou, ele ainda vai afundar a índices que talvez supere até os indigentes 4 por cento do chefão maranhense.
Segundo noticia publicada no alto da primeira página do Estadão de hoje, líderes da base aliada de Michel Temer na Câmara dos Deputados afirmaram ao Estado não ser possível assegurar a rejeição da denúncia que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, deve apresentar até amanhã contra o presidente da República. Você acha que o governo Temer corre mesmo esse risco?
André de Souza, O Globo, Entre outras coisas, o procurador-geral disse que não há dúvida de que Temer cometeu crime de corrupção e sugeriu que a manutenção dele na Presidência contribui para a continuidade do cometimento de crimes.

Segundo apuração das repórteres Júlia Lindner e Carla Araújo, da Sucursal do Estadão em Brasília, representantes partidários na Câmara dizem que rejeição de acusação de Rodrigo Janot não é certa. Mesmo com uma coalizão estimada em cerca de 400 deputados, parlamentares ponderam que o teor da acusação formal e os seus desdobramentos podem influenciar o posicionamento dos congressistas, aumentando o risco de Temer sofrer um revés.

A denúncia contra o presidente é apresentada no Supremo Tribunal Federal, que só pode julgar sua aceitação ou não com o aval da Câmara. Após ser encaminhada para a Casa, a acusação tramita primeiro na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) antes de seguir para o plenário. São necessários os votos de 172 dos 513 deputados para negar a autorização. Se aprovada por no mínimo 2/3 da Casa, retorna ao Supremo. Caso a Corte aceite a denúncia, o presidente é obrigado a se afastar do cargo por 180 dias.
Para Baleia Rossi (SP), líder do PMDB, partido de Temer e que tem a maior bancada da Casa, com 64 deputados, o governo não pode se descuidar. “No Parlamento nada é automático. Vai ter que trabalhar. Cada líder da base vai ter que trabalhar sua bancada. Vai ter que ter convencimento. Não dá para achar que está tudo resolvido.”
Além do PMDB, os principais partidos aliados também não asseguram vida fácil ao governo, em especial na CCJ. DEM e PSDB, por exemplo, rejeitam a hipótese de substituir nomes no colegiado que possam votar contra a denúncia. “Os nomes (do DEM) na CCJ estarão todos preservados, não vou mudar ninguém para atender algum desejo do governo ou algo assim. Vão votar com sua consciência”, disse Efraim Filho. A bancada do DEM tem 29 deputados.
De acordo com o líder do PSDB na Câmara (46 integrantes), Ricardo Tripoli, os tucanos vão “votar de acordo com a sua consciência, Outros líderes seguem a mesma linha. “Não vou fazer um exercício de futurologia. Não é possível prever (se haverá manutenção de apoio)”, disse José Rocha, do PR, cuja bancada possui 37 deputados.
Jovair Arantes, do bloco PTB, PROS, PSL, PRP, que tem 24 deputados, disse que não pode “agir por hipótese”. “Tenho que ver a denúncia e analisar. Só tomo decisão com meu time (bancada)”, afirmou. “Não sabemos o que vai acontecer”, completou Marcos Montes, do PSD.
Articulações. O Planalto aposta em uma estratégia jurídica associada à política para derrubar a denúncia na Câmara. Temer passou o fim de semana tratando do tema. No sábado, viajou a São Paulo para se encontrar com seu advogado Antonio Cláudio Mariz.
Aliás, em entrevista a André Guilherme Vieira e Fernando Taquari publicada no Valor Econômico de sexta-feira, Mariz deixou claro que reação da Câmara preocupa o advogado e amigo de temer. Dois terços – 342 dos 513. Ele disse: “Eu acho que esta certeza (do Planalto) de que a autorização necessária de que o STF instaure ação penal após oferecimento de ação penal pelo PGR até pode atingir pessoalmente os deputados, que vão dizer ‘por que é que estão falando que eu vou votar de tal maneira se eu não li a denúncia, se eu não li a defesa. Pensam que eu sou títere?1 Acho isso inteiramente contraproducente”.
No domingo, o presidente se reuniu no Palácio da Alvorada com ministros, líderes e aliados no Congresso.
Apesar de o encontro ter como pauta oficial as votações no Congresso, o Planalto confirmou que outro advogado do presidente, Gustavo Guedes, também participou da reunião. De acordo com a lista oficial, participaram os ministros Henrique Meirelles (Fazenda), Torquato Jardim (Justiça), Eliseu Padilha (Casa Civil), Antonio Imbassahy (Secretaria de Governo), Moreira Franco (Secretária-Geral da Presidência) e Sergio Etchegoyen (Gabinete de Segurança Institucional). Estavam presentes também o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e os líderes do governo no Congresso, André Moura (PSC-SE), e na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB).
Temer é investigado por corrupção passiva, obstrução de Justiça e organização criminosa. Janot poderá apresentar uma única denúncia ou fatiá-la de acordo com os crimes apurados.
No convencimento de deputados, o Planalto vai argumentar que o procurador-geral da República age de maneira pessoal ao acusar Temer.
Até nisso Temer se iguala a Dilma, que se queixava de vingança de Eduardo Cunha e ele apela para salvar a própria pele para a péssima imagem de seu delator premiado principal, Joesley Batista. Outro argumento é o de que a classe política deve se unir para salvar o presidente porque, caso contrário, toda ela estará ameaçada. Por enquanto, este é seu maior aliado para continuar fingindo que manda no Planalto.
Só lhe resta agora usar todos os recursos disponíveis ou torná-los disponíveis, como no grotesco plano de lançar mão do dinheiro do trabalhador do FGTS para comprar a base.
A ti trocou-te a máquina mercante,
Que em tua larga barra tem entrado,
A mim foi-me trocando, e tem trocado,
Tanto negócio e tanto negociante.

Quais são as diferenças entre a eventualidade da autorização para o impeachment hoje e as existentes nas sucessões de Collor e de própria Dilma?
Diferença fundamental: nos dois casos havia um substituto automático, um vice, possibilidade de agrupar em torno de um nome. No caso de Itamar, ele se comportou de forma exemplar, era um corpo estranho à tal República de Alagoas, que cercou Collor. Com isso, Itamar fez o Plano Real, acabou com a inflação e apostou no futuro, criando a alternativa Fernando Henrique, da qual PSDB se aproveitou para vencer Lula em duas eleições consecutivas no primeiro turno. Temer é diferente: primeiro, ele pertencia à quadrilha que assaltou os cofres republicanos nos 13 anos, 4 meses e 13 dias dos desgovernos Lula e Dilma, chegando até a funcionar provisoriamente como coordenador político da cabeça da chapa da qual fez parte. Disso surgiu o desgaste do processo no TSE que o favoreceu, mas no julgamento que só desmoralizou a já desmoralizante justiça eleitoral de antes. O que mantém o governo Temer respirando por aparelhos é que não há um vice disponível para ocupar, a solução constitucional da eleição indireta no Congresso é impopular e desperta desconfiança no tal do mercado que ainda mantém o governo por medo de um substituto que jogue todas as conquistas econômicas no lixo e todos os poderes completamente sem crédito. Temer manteve seus colegas de rapina no Executivo, seus sócios no Execvutivo foram mantidos e o Judiciário mantém até a metáfora escatológica de que de bunda de bebê e cabeça de juiz não se sabe o que vem.
Na semana passada, você chamou a atenção para a ação da AGU retaliando os inimigos de Temer e do governo, em particular a JBS. Mais recentemente, Lauro Jardim confirmou na coluna essa sua informação. Isso indica, então, que a coisa está à vista, não é?
Houve um estranhamento na cúpula da PGR sobre os verdadeiros motivos por trás da ação proposta pela AGU na semana passada, do bloqueio de bens da JBS. Temem que se trate de retaliação do governo.
Sim e na justiça. A AGU está agindo só agora com a FBS porque delatou o Temer.E a pergunta que fica é por que a AGU nao bloqueou os ativos das empreiteiras.
A AGU com Dilma agia como defensora particular da presidente a ser deposta e sob o vice que ajudou a derrubé´la, passou a ser um órgão que o governo usa para investigar e perseguir adversarios. Triste Brasil.
Triste Bahia Caetano Veloso Gregório de Matos século 17
SONORA Triste Bahia Caetano Veloso

Triste Bahia
Triste Bahia! Ó quão dessemelhante
Estás e estou do nosso antigo estado!
Pobre te vejo a ti, tu a mi empenhado,
Rica te vi eu já, tu a mi abundante.
A ti trocou-te a máquina mercante,
Que em tua larga barra tem entrado,
A mim foi-me trocando, e tem trocado,
Tanto negócio e tanto negociante.
Deste em dar tanto açúcar excelente
Pelas drogas inúteis, que abelhuda
Simples aceitas do sagaz Brichote.
Oh se quisera Deus que de repente
Um dia amanheceras tão sisuda
Que fora de algodão o teu capote!
Gregório de Mattos

Facebook
X
LinkedIn
Pinterest
Telegram
WhatsApp

Nunca perca nenhuma notícia importante. Assine a nossa newsletter.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

José Nêumanne Pinto

Blog

Jornal Eldorado

Últimas Notícias

Últimas Notícias